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Pastores
venezuelanos confidenciam temores e dividem lágrimas
VENEZUELA
- Há poucos quilômetros dentro da abafada floresta venezuelana,
que faz fronteira com a Colômbia, grupos guerrilheiros se
movimentam sem que as autoridades locais ofereçam nenhum
obstáculo. A população civil já se acostumou com o enxame de
guerrilheiros que circula pelo local.
Em meio à
essa atmosfera tensa, nove pastores confidenciaram seus temores
e dividiram suas lágrimas com a Portas Abertas em uma série de
reuniões realizadas nos dias 8 e 9 de abril. Juntos, os pastores
e a Portas Abertas elaboraram um plano de ajuda aos cristãos da
Venezuela.
Na opinião
dos pastores e de outras pessoas, o presidente Hugo Chávez quer
“colocar ordem” nas organizações independentes – e que,
portanto, não podem ser monitoradas. Entre essas organizações
está a Igreja. Muitas congregações são arredias no que diz
respeito ao controle de qualquer tipo de governo humano.
Desde sua
eleição como presidente, em 1998, Hugo Chávez tem dirigido a
nação rumo ao socialismo. Apesar de o Reino de Deus ser
espiritual e o socialismo, materialista, há pastores que
compartilham a ideologia de Chávez e estão dispostos a acomodar
seu ensino bíblico a essa ideologia.
Para os
chavistas, o governo tem sido bastante generoso, dado dinheiro e
ajudado com programas sociais e de desenvolvimento. Em troca, os
beneficiados precisam apoiar Chávez e mesmo informar ao governo
o que acontece na igreja.
Para aumentar
o controle, Chávez estabeleceu Conselhos Públicos em
praticamente todas as comunidades venezuelanas. Em abril do ano
passado, a Assembléia Nacional aprovou a Lei dos Conselhos
Públicos que regula o funcionamento e o financiamento desses
órgãos.
Nos
conselhos, os cidadãos criam, controlam e avaliam a política
pública. Somente as pessoas que concordam com a política de
Chávez podem participar dos conselhos, o que inclui muitos
cristãos que concordam com a linha social do governo.
Perseguição velada
Recentemente,
o Pr. Armando* foi acusado de “obstruir a paz entre vizinhos”. O
motivo: ele se encontrou com outro pastor e alguém reclamou que
os dois homens estavam orando muito alto.
No dia
seguinte ele foi informado que um conselho público estava pronto
para expulsá-lo de seu apartamento. Quando Armando disse que não
oraria em seu apartamento com seu amigo novamente, o conselho
permitiu que ele permanecesse em sua casa.
Desde o dia
11 de janeiro de 2007, cerca de 35.000 conselhos públicos foram
estabelecidos. A expectativa é que esse número cresça para
50.000 até o meio deste ano.
Os conselhos,
formados por pessoas que respondem ao governo venezuelano, têm
poder para tomar decisões locais e judiciais, entre elas o poder
de confiscar propriedades. Os conselhos também são apoiados por
milícias que também trazem informações sobre pessoas que
discordam da política de Hugo Chávez.
Igreja dividida
Atualmente, a
Igreja da Venezuela está dividida. Alguns pastores entendem o
perigo que essa situação pode trazer para o futuro da Igreja.
Outros não. No início de sua campanha pela presidência, Hugo
Chávez chorou na frente de pastores e pediu para que orassem por
ele. Depois de eleito, entretanto, em seu programa dominical
“Olá, Presidente”, Chávez disse que não acreditava no Deus
Todo-Poderoso em que os cristãos acreditam.
Ele chamou o
Gênesis e o fato de Deus ter criado Eva de uma costela de Adão
de “absurdo”, acrescentando que nunca tinha crido naquilo, nem
mesmo quando era criança e freqüentava a Igreja Católica romana.
Medidas de Chávez impostas aos cristãos:
O referendo
radical de 2007 de Hugo Chávez inclui medidas que pretendem
submeter a igreja venezuelana ao controle estatal. As medidas
incluem:
• A igreja deve ter o mínimo de 200 membros e ter um certificado
dos conselhos públicos.
• Congregações menores precisam alcançar o número mínimo de
membros.
• Todas as igrejas de uma comunidade devem utilizar o mesmo
prédio.
• Os pastores são obrigados a realizar casamento entre
homossexuais.
• Os pastores que pregarem contra o homossexualismo e
determinadas questões morais devem ser denunciados e condenados
(exatamente como tenta-se implantar no Brasil).
Mesmo que a
punição não tenha sido estabelecida, é provável que seja pena de
prisão.
No dia 6 de
dezembro de 2007, a votação nacional refutou essas medidas com
pouca diferença de votos. Mesmo depois de os eleitores
estreitarem sua passagem, Hugo Chávez continua em sua caminhada
rumo ao controle da Venezuela – e da Igreja venezuelana. O
presidente impôs mudanças ao país “por trás dos bastidores” que
copiam os modelos chinês, cubano e de outros países socialistas.
Uma das
maneiras de impor sua vontade é através do Congresso “de
fachada”, constituído por maioria chavista. Logo, o Congresso
discutirá as medidas e vai decidir se as transformarão em lei ou
não.
Notícias
Tradução:
Priscilla Figueiredo
Este país não
se enquadra entre os
50 mais intolerantes ao
cristianismo.
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