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AS EPÍSTOLAS DE PAULO AOS CORÍNTIOS
A CIDADE DE CORINTO – GRÉCIA
Localização
As quatro cidades mais importantes do Império Romano
eram: Roma, Corinto, Éfeso e Antioquia da Síria. Portanto, Corinto era
célebre. A cidade localizava-se em um istmo, que é uma porção de terra
que liga uma península ao continente. Possuía dois portos. Assim, além
de ser a única passagem por terra entre o norte e o sul da Grécia, era
também passagem entre a Ásia, a Palestina e a Itália. Os navegantes
poderiam dar a volta pelo sul da península. Porém, o mar na região era
muito tempestuoso. Corinto era então um corredor de mercadorias. Além
disso, suas terras eram férteis. A cidade era rica e tinha localização
estratégica no cenário mundial.
História
Corinto grega
No auge da civilização grega, Corinto já ocupava lugar
de destaque. Em 146 a.C., a cidade foi destruída pelo cônsul romano
Mummius.
Corinto romana
Devido à sua posição estratégica, a cidade foi
reconstruída em 46 a.C. por Júlio César, tornando-se capital da
Província Romana da Acaia. A nova Corinto possuía ruas amplas, praças,
templos (Netuno, Apolo, etc), estádio (I Cor.9.24), teatros, estátuas, e
o santuário de mármore branco e azul (Rostra), onde se pronunciavam
discursos e sentenças.
A idolatria de Corinto
A idolatria fazia parte da cultura grega com seus
inúmeros deuses mitológicos. Ao sul de Corinto havia uma colina chamada
Acrocorinto, que se elevava a 152 metros acima da cidade. Ali estava o
templo de Afrodite, também chamada Astarte, Vênus ou Vésper, – deusa do
amor e da fertilidade.
A corrupção de Corinto
Os cultos a Afrodite incluíam ritos sexuais realizados
por 1000 sacerdotisas, ou seja, prostitutas cultuais. O fato de ser
cidade portuária, contribuía para que uma série de problemas se
estabelecessem. Muitos viajantes que por ali passavam se entregavam à
prostituição e à prática de outros delitos. O fato de estarem de
passagem criava uma sensação de impunidade, o que de fato se
concretizava normalmente. Estes e outros fatores contribuíam para uma
corrupção generalizada na cidade.
História recente
A cidade de Corinto foi destruída por um grande
terremoto em 1858. Em seguida foi reconstruída a 6 km do local anterior.
Escavações na cidade antiga permitiram diversas descobertas
arqueológicas, tais como monumentos, imagens e ruínas de casas, templos
e palácios.
A IGREJA EM CORINTO
A igreja em Corinto foi fundada pelo apóstolo Paulo
durante sua 2a viagem missionária, entre os anos 50 e 52 d.C.
Ali, Paulo permaneceu durante dezoito meses (At.18.1-8). A igreja era
composta por judeus e gentios. Entre seus membros havia ricos e pobres,
inclusive escravos.
AS EPÍSTOLAS AOS CORÍNTIOS
Em nossas bíblias, temos duas epístolas de Paulo aos
Coríntios. Entretanto, sabemos que elas seriam pelo menos três. Em I
Cor.5.9, Paulo se refere a uma carta anterior, a qual não chegou às
nossas mãos. Em II Cor. 7.8 existe referência a outra carta que pode ser
I Coríntios. Alguns comentaristas sugerem que a carta mencionada em II
Cor.7.8 seja uma outra epístola. Nesse caso, teríamos quatro epístolas.
Trabalhando ainda com hipóteses, sugere-se que essa epístola corresponda
aos capítulos 10 a 13 de II Coríntios, os quais poderiam ter sido ali
agrupados posteriormente.
Temos então o seguinte esquema:
1a carta - desaparecida - existência
garantida por I Cor.5.9
2a carta - é a que chamamos I Coríntios.
3a carta - desaparecida – existência
hipotética.
4a carta – é a que chamamos II Coríntios.
A PRIMEIRA EPÍSTOLA DE PAULO AOS CORÍNTIOS
Autor: Paulo (1.1)
Escritor: Sóstenes (1.1)
Data: 56 d.C.
Local: Éfeso (16.8)
Texto chave: 5.7
Tema: o comportamento do cristão.
Classificação: eclesiologia (Estudos referentes à
igreja).
Principais motivos da carta
Nessa epístola, Paulo não expõe os fundamentos do
evangelho, como fez na carta aos Romanos. Afinal, ele já estivera
doutrinando os coríntios pessoalmente durante um ano e meio. Paulo
escreveu àquela igreja depois de receber uma carta com perguntas dos
coríntios (I Cor. 7.1; 8.1-13) e a visita de pessoas que vieram trazendo
más notícias (1.11; 16.17). Os problemas dos coríntios eram muitos. Em
destaque estavam a divisão e a imoralidade.
Divisão na igreja
Logo que Paulo saiu de Corinto, após ter fundado a
igreja, Apolo chegou e deu prosseguimento ao trabalho (At.18.24-28).
Como disse o apóstolo: "Eu plantei, Apolo regou.." (I Cor.3.6). Sua obra
foi importante e digna de reconhecimento. Ele era homem eloqüente e
conseguiu conquistar a simpatia de muitos coríntios. Ao que parece, os
irmãos ficaram impressionados com a pessoa de Apolo e começaram a fazer
comparações com Paulo, que talvez não falasse tão bem. (I Cor.2.1-5; II
Cor. 10.10). Muitos chegaram a desprezar o apóstolo Paulo, questionando
sua autoridade e seu ministério. (I Cor.1.11-14). Formaram-se então
partidos dentro da igreja: os de Paulo, os de Apolo, os de Cefas (Pedro
em Aramaico) e os de Cristo (I Cor.1.12). Não sabemos se Pedro esteve
pessoalmente em Corinto. Pode ser que sim. De qualquer forma, é mais
provável que o nome de Pedro tenha sido levado por judeus cristãos que
vieram de Jerusalém. Talvez esse grupo corresponda aos judaizantes que
tantos problemas criaram para Paulo.
O fato de alguns se intitularem "de Cristo" pode ter
sentido positivo ou negativo. Isso poderia significar uma consagração
maior, uma rejeição ao partidarismo, mas pode também indicar
independência, rejeição a todo tipo de liderança e uma manifestação
"orgulho espiritual". Conquanto não possamos tirar conclusões sobre isso
na primeira epístola, o texto de II Cor. 10.7 parece mostrar que aqueles
que se diziam "de Cristo" eram os mais problemáticos.
Influências da cidade
Como vimos, a cidade de Corinto estava dominada pela
idolatria, pela imoralidade e pela corrupção generalizada. Tais fatores
estavam "batendo à porta da igreja". Esta situação não é diferente nos
nossos dias, quando o "modernismo" e o "mundanismo" estão querendo
entrar no nosso meio. Não podemos simplesmente nos fechar para tudo o
que nos rodeia. Nesse caso, teríamos que "sair do mundo". Contudo,
precisamos discernir o que é aceitável e o que não é. Muitas influências
podem até ser positivas. O que não se pode admitir é a entrada do pecado
na igreja. Por exemplo, se usamos instrumentos musicais que foram
inventados por ímpios, isso não é problema, mas se trouxermos a
sensualidade mundana para a igreja estaremos recebendo o lixo do mundo.
Em Corinto, as influências da cidade estavam fazendo apodrecer a igreja.
Os costumes pagãos estavam influenciando até mesmo a (des)organização
dos cultos.
A carnalidade dos cristãos coríntios
A influência externa só produz resultado quando encontra
receptividade interna. A carnalidade daqueles cristãos era a porta
aberta para os males externos. Assim, surgiam diversos problemas na vida
da igreja. No capítulo 2, Paulo fala sobre o "homem natural" (v.14) e o
"homem espiritual" (v.15). O homem natural é o ímpio. O espiritual é o
cristão controlado pelo Espírito Santo. No capítulo 3, verso 1, o autor
se refere ao "homem carnal". Carnalidade é o modo de vida de acordo com
os desejos descontrolados da natureza pecaminosa. O homem carnal é o
crente sem o controle do Espírito Santo. Sua vida se torna semelhante à
do homem natural, onde o domínio do pecado é visto com naturalidade.
Especificando as influências
Na seqüência, procuraremos expor o "pano de fundo" dos
problemas da igreja de Corinto. Vários elementos estavam contribuindo
para aquela situação de caos. A epístola apresenta o esforço de Paulo
para colocar as coisas em seus devidos lugares. Muitas delas deveriam
ser colocadas para fora da igreja.
Religião e imoralidade (I Cor.5.1; 6.15-18; 7.2)
A cultura de Corinto misturava religião e imoralidade.
Além disso, a vida passada (6.9-11) de muitos daqueles irmãos constituía
um ponto fraco, motivo pelo qual alguns (ou muitos?) se deixaram levar
pelos pecados sexuais. Paulo deixa bem claro que essa mistura não
poderia existir dentro da igreja. O padrão de religiosidade da cidade
não servia para os cristãos. O caso mais grave está relatado no capítulo
5: um homem da igreja havia cometido incesto com a sua madrasta. O
apóstolo aconselhou que o mesmo fosse expulso da igreja. Em casos assim,
muitos poderiam apelar para a tolerância, o amor, etc. Contudo, a
impunidade seria um forte incentivo para que outros se deixassem levar
por pecados semelhantes. A exclusão precisava ser feita. Posteriormente,
o irmão poderia ser re-admitido na congregação, como parece ter ocorrido
(II Cor.2).
A imoralidade de Corinto acabava por desvalorizar o
casamento. Por isso, Paulo lhes dá diversas orientações no sentido de
que o casamento fosse visto como uma instituição divina. Embora o
apóstolo afirme que é melhor estar solteiro para servir a Deus, ele
também deixa claro seu conselho no sentido de que os casados não se
separem. O casamento é colocado como um importante antídoto contra a
imoralidade.
O problema sexual deturpava também o conceito de amor.
Afrodite era considerada a deusa do amor e este possuía uma conotação
principalmente sexual. Desse contexto grego vem a palavra "erotismo",
que é derivada do nome "Eros", um deus da mitologia. Paulo parece estar
preocupado com essa questão quando dedica o capítulo 13 ao amor. Ele
quer formar um conceito correto a respeito do amor, mostrando o que ele
é e o que ele não é.
Religião e ordem no culto (I Cor.14.23,26-35)
A desordem pagã e a ordem cristã.
Sabendo que o culto a Afrodite era uma orgia,
deduzimos que ali não se encontravam ideais de reverência, ordem,
decência e organização. Os cultos da igreja, embora não incluíssem
práticas sexuais, estavam bastante tumultuados. Paulo escreveu então,
procurando estabelecer princípios que pudessem regulamentar as reuniões
da igreja. Por isso ele diz para que se evite o falar em línguas sem
interpretação. E quando houver, que não se manifestem mais do que três
profetas. Aconselha que as mulheres fiquem caladas durante o culto e que
guardem as perguntas para seus maridos em casa. Entendemos que Paulo não
pretendia criar uma "camisa de força" para nós, como se estivesse
ditando um conjunto de "leis eclesiásticas". Tais orientações foram
assim radicais pois a situação dos coríntios era grave. De tudo isso,
precisamos guardar os princípios de ordem, decência, reverência e que só
se faça no culto aquilo que puder promover a edificação da igreja.
Religião e comportamento feminino
Por quê será que Paulo foi tão rigoroso em relação às
mulheres cristãs? Lembremo-nos de que as mulheres ocupavam lugar de
proeminência na religião pagã de Corinto. A principal divindade era uma
deusa. As mulheres oficiavam os cultos a Afrodite. Eram 1000
sacerdotisas que se prostituíam no templo. Além disso, as prostitutas
proliferavam-se pela cidade. Comentaristas nos informam que, quando uma
mulher usava o véu, isso significava que ela estava submissa a um homem,
quer seja seu marido, seu pai ou um parente responsável. Quando se via
uma mulher sem véu e com o cabelo tosquiado ou mesmo raspado, já se
deduzia que a mesma estava totalmente disponível. Essa era a maneira
como as prostitutas eram identificadas. Sendo assim, as mulheres cristãs
precisavam agir com modéstia, precisavam usar o véu e manter seus
cabelos compridos. Nos cultos não lhes seria dado lugar de destaque ou
liderança. Não se poderia deixar que o estilo pagão de culto
influenciasse a igreja. O uso do véu era importante naquele contexto
cultural. Deixar de usá-lo naqueles dias seria motivo de mal testemunho
ou escândalo. Então, era prudente que as mulheres cristãs usassem o véu.
Podemos comparar isto ao uso da aliança hoje como sinal de compromisso
matrimonial. Se o homem casado ou a mulher casada deixam de usar
aliança, não estarão desobedecendo a um mandamento bíblico específico
mas estarão levantando suspeitas e maus juízos, o que não é edificante
para o cristão nem para o evangelho. Reforça-se então a necessidade que
temos de extrair os princípios que tais passagens nos trazem e não sua
aplicação literal. Paulo está ensinando o uso do bom senso em relação
aos costumes culturais e também está orientando sobre a autoridade do
homem sobre a esposa.
Religião e alimentação
(I Cor.8.10; 10.27).
Assim como ocorria no judaísmo, os sacrifícios de
animais eram comuns em diversas religiões. Parte do animal era queimado
sobre o altar. Outra parte era servida aos ofertantes, sacerdotes e
convidados. Eram, portanto, freqüentes as refeições nos templos pagãos.
Desta influência surgiram dois problemas para a igreja:
1 – Os cristãos realizavam refeições na igreja em
ambiente tumultuado e chamavam isso de ceia do Senhor. Os ricos levavam
grande quantidade de comida e bebida para a igreja. Chegavam até a ficar
embriagados (I Cor.11.20-22). Enquanto isso, os irmãos pobres muitas
vezes não tinham o que levar. Isso se tornava então uma situação
constrangedora e humilhante. Por isso, Paulo perguntou: "Não tendes,
porventura, casas onde comer e beber?" As reuniões da igreja não podiam
reproduzir as refeições dos templos pagãos. Então, o apóstolo orienta
como deve ser a ceia do Senhor: com reverência, ordem e santidade (I
Cor.11.23-34).
2 – Outro problema é que as refeições nos templos pagãos
eram acontecimentos sociais e, eventualmente, os cristãos poderiam ser
convidados para participar. Estariam então diante de um alimento
sacrificado aos ídolos. Paulo diz que, já que o ídolo é nada, é uma
ilusão, então a carne sacrificada é como outra carne qualquer. Ali não
existe nenhuma maldição nem contaminação. Porém, se um cristão, que
antes adorava naquele templo pagão, vê um irmão comendo ali a carne do
sacrifício, ele pode se sentir tentado a voltar à sua prática antiga.
Cria-se então uma situação de tropeço e confusão. Se a participação em
tais refeições pode se tornar motivo de escândalo, então é melhor
evitá-las (I Cor. 8). Ele diz também que o cristão não pode participar
da mesa do Senhor (ceia) e da mesa dos demônios (refeições pagãs).
Muitas vezes, a carne desses animais sacrificados ia parar até nos
mercados. Sobre isso, Paulo diz que o cristão deveria comprar sem
preocupação (10.25). Não deveria nem perguntar sobre a origem da carne.
Da mesma forma, se o cristão fosse almoçar na casa de um ímpio, deveria
comer de tudo sem perguntar (10.27). Entretanto, se o anfitrião dissesse
que aquela carne era de um sacrifício aos ídolos, o cristão deveria
recusá-la, não por causa do ídolo ou por causa do animal, mas porque o
comer poderia ser interpretado como participação na idolatria ou, no
mínimo, aprovação (10.28).
Religião e Filosofia
Se, naquele tempo, a filosofia grega era influente em
todo o mundo, quanto mais em Corinto, que estava na Grécia. A filosofia
clássica se caracteriza pela interpretação humana da realidade. Tal
pensamento formou e ainda forma muitos conceitos que são geralmente
aceitos como verdade. As palavras de Paulo nos fazem entender que os
coríntios possuíam conceitos distorcidos sobre o amor, a liberdade e a
sabedoria. Muitas vezes, a filosofia é utilizada para montar
justificativas para o pecado.
Os gregos eram orgulhosos por seu conhecimento
filosófico. O apóstolo se esmera por mostrar que o entendimento humano é
loucura. Ele procura mostrar o verdadeiro sentido do amor, da liberdade,
da sabedoria, etc.. No texto que vai de 1.18 a 2.16, Paulo confronta a
sabedoria humana com a sabedoria divina. Estava em alta o pensamento
gnóstico, o qual supervalorizava o conhecimento, associando-o à salvação
humana. A ciência tomava ares de virtude espiritual. Além de enfatizar a
sabedoria divina contra a sabedoria humana, Paulo também afirma: "A
ciência incha, mas o amor edifica" (I Cor.8.1). A matéria era vista
pelos gnósticos como maligna. Daí surgem várias heresias:
-
Se a matéria é má, o casamento também. Paulo combate
essa idéia em I Cor. 7.5.
-
-
A ressurreição do corpo era vista como
"materialista". Por isso Paulo expõe e defende a doutrina da
ressurreição no capítulo 15.
-
-
Enquanto que alguns gnósticos, diante da suposta
malignidade da matéria, optavam pelo ascetismo, ou seja, pela
negação dos desejos sexuais e a total abstinência, outros,
combinando gnosticismo e cristianismo, julgavam-se protegidos contra
todos os males e, assim, podiam, supostamente, se entregar aos
desejos sem restrições.
Conhecimento, liberdade e amor
eram elementos mal
interpretados, mal colocados e mal valorizados em Corinto. Isso veio a
causar uma série de problemas na igreja. Alguns julgavam que a liberdade
cristã lhes dava direito de fazer tudo, quer seja a participação nas
refeições dos templos pagãos ou mesmo a união carnal com as meretrizes.
Paulo se posiciona contra todas essas variações da
influência filosófica e da falsa interpretação do cristianismo. Assim,
ele condena a libertinagem sexual, ao mesmo tempo em que defende a
legitimidade do sexo dentro do matrimônio (I Cor. 6.15-16 e I Cor.7).
A liberdade cristã é, de fato, ampla. Contudo, o amor é o seu parâmetro
maior. Assim, se, no uso da nossa liberdade, ultrapassamos os
limites do amor a Deus e ao próximo, saímos da liberdade cristã e
entramos nos domínios do pecado. Por isso, Paulo diz: "Todas as coisas
me são lícitas, mas nem todas me convém." (I Cor.10.23). "Não sabeis vós
que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de
Cristo e fá-los-ei membros de meretriz? Não, por certo" (I Cor.6.15). Ao
usar a expressão "não sabeis", fica evidente a questão do conhecimento.
Os coríntios sabiam muita coisa, mas era urgente que soubessem sob o
ponto de vista de Deus, conforme Paulo estava procurando expor.
Com relação aos alimentos sacrificados aos ídolos, Paulo
deixa claro que a liberdade cristã, em princípio, nos permitiria
participar deles, uma vez que o ídolo é uma ilusão. Entretanto, vêm
novamente à tona a questão do amor. Se tal exercício extremo da
liberdade for causar escândalo ao próximo, ou ao irmão, então o amor não
estaria operando. "Ninguém busque o proveito próprio, antes cada um o
que é de outrem." (I Cor.10.24).
A solução
Paulo lembra aos coríntios que Jesus é o fundamento de
suas vidas. Entretanto, sobre esse fundamento, estava sendo utilizado
material estranho para a construção. Entra aí a questão da
responsabilidade dos líderes eclesiásticos. Não sabemos quem liderava a
igreja em Corinto. Ao que tudo indica, faltava ali uma liderança forte
que conseguisse conduzir a igreja. Vemos que a mesma estava dividida em
grupos. Certamente, havia líderes, mas estes não estavam conseguindo uma
coesão entre si e entre os membros da igreja. Paulo precisou enviar
Timóteo (I Cor.4.17; 16.10). Ele insistiu para que Apolo fosse até lá,
mas isso não foi possível (I Cor.16.12).
O apóstolo chama a atenção da igreja para o seu
fundamento: Cristo (I Cor.3.11). Ele é também a solução para todas
aquelas questões e problemas. A edificação precisa ser coerente com o
alicerce. O nosso desenvolvimento na fé precisa utilizar doutrinas e
conceitos coerentes com a pessoa e o ensino de Cristo. Ele apresenta
Jesus como a sabedoria de Deus, justiça, santificação e redenção (1.30).
Esses elementos precisam estar combinados na vida do cristão: sabedoria,
justiça, santificação e redenção. A sabedoria humana não produz a
justiça divina na vida do homem. O conhecimento humano não se vincula à
santificação e, muitas vezes, abona o pecado. O resultado de tudo isso
jamais será redenção, mas sim perdição. A filosofia como material de
edificação da igreja não lhe daria firmeza. Pelo contrário, causaria sua
queda e ruína.
Paulo apela para a lembrança da história de Israel no
capítulo 10.1-13. Seu objetivo era mostrar que, embora aquele povo tenha
saído do Egito sob a poderosa manifestação do poder de Deus, pereceu
depois no deserto pelo fato de ter se deixado levar por tentações
diversas. Fica então traçado um paralelo dessa narrativa com a
experiência dos coríntios, aos quais o apóstolo adverte contra os riscos
de fracasso na fé (10.12).
Macro divisão da carta
- Purificação da igreja (1.1 a 11.34);
- Orientação doutrinária (12.1 a 16.24).
ESBOÇO (I COR.)
I – Saudação – 1.1-9
II – Necessidade de purificação da igreja – 1.10-31.
-
Divisões.
-
-
Culto ao homem.
-
III – Exemplo de Paulo – 2.1-16.
IV – Divisão: imaturidade e carnalidade – 3.1-4.
V – Os ministros na igreja – 3.5 a 4.21.
-
Sofredores! – 4.9-13 (Paulo se refere
aos ministros como: últimos, condenados, espetáculo,
loucos, fracos, desprezíveis. Esta seria a visão do
mundo a respeito deles).
-
VI – O dever de purificar a igreja – 5.1 a 6.20.
VII – O casamento e a vida cristã – 7.1-40.
VIII – A liberdade e o amor (liberdade com
responsabilidade) – 8.1-13.
IX – O exemplo de renúncia de Paulo – 9.1-27.
X – Exemplos da história de Israel. Riscos para a
igreja. 10.1-15.
XI – A mesa do Senhor e a mesa dos demônios. 10.16-21.
XII – A liberdade e o amor – 10.23-33.
XIII – Observação dos costumes sociais – 11.1-16.
XIV – A ceia do Senhor – 11.17-34.
XV – Os dons espirituais e o corpo de Cristo – 12.1-31.
XVI – A supremacia do amor – 13.1-13.
XVII – O dom de línguas, as profecias e a ordem no culto
– 14.1-40.
XVIII – A doutrina da ressurreição – 15.1-58.
XIX – Instruções finais. As ofertas para Jerusalém.
Saudações. – 16.1-24.
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Adaptado : Pr. Adelcio Ferreira
Fonte apostilas
SEBEMGE - Seminário Batista do Estado de Minas Gerais
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