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INFORMAÇÕES HISTÓRICAS E GEOGRÁFICAS
Localização
– Roma está localizada no continente europeu, na região central da
península Apenina ou Itálica, que hoje corresponde ao território
italiano. Nos primórdios da história romana, não existia um país chamado
Itália. A península era ocupada por várias cidades-estado independentes.
Fundação
– A cidade foi fundada em 735 a.C. às margens do rio Tibre, sobre 7
colinas. Sua origem está envolta em lendas. A principal está relacionada
às figuras dos irmãos Rômulo e Remo, os quais teriam sido amamentados
por uma loba. Outra versão nos informa que naquela região foi montado um
posto militar dos povos do norte com o objetivo de resistir às invasões
dos povos do sul, principalmente dos etruscos. Esse posto teria dado
origem à cidade de Roma.
Formação da população
– os povos latinos, sabinos, e até mesmo os etruscos participaram da
formação inicial da população romana. Posteriormente, outras etnias se
introduziram no processo.
Organização social
– A população romana, já nos seus primeiros séculos, dividiu-se em
classes: patrícios, plebeus, clientes e escravos. Patrícios eram
os nativos da cidade, os quais estavam ligados às famílias tradicionais
(gens). Eram os donos da terra, possuíam cidadania e status de nobreza.
Tais famílias se organizavam em "cúrias" que, por sua vez, formavam as
tribos. Daí vinham os membros do senado e o rei.
Os plebeus constituíam a classe popular, a plebe.
Eram aqueles indivíduos sem raízes hereditárias entre as famílias
importantes. Normalmente eram imigrantes e não possuíam nenhum direito à
terra. Contudo, exerciam alguma atividade que lhes garantia uma renda.
Portanto, pagavam impostos. Os clientes eram aqueles indivíduos
que ocupavam um pedaço de terra de um patrício e, em troca, devia-lhe
determinado pagamento. Os escravos eram aqueles que, por motivo
de dívida ou de guerra, tornavam-se propriedade dos patrícios. De uma
mistura de lenda e história vem a tradição de que Roma teve 7 reis. A
monarquia acabou quando os próprios patrícios se ressentiram da tirania
do poder real. Inicia-se então a república romana.
Com o passar dos séculos, a plebe cresceu demasiadamente.
Muitos plebeus se tornavam escravos por não poderem quitar seus
compromissos financeiros. Desse modo, a classe dos escravos também
crescia. Os menos favorecidos eram então a maioria da população. Nesse
tempo, os patrícios controlavam o Estado, tomando todas as decisões como
bem lhes parecia. Muitos indivíduos da plebe prosperaram por suas
atividades comerciais ou por sua participação no exército. Muitas
atividades indispensáveis eram desempenhadas por essa classe sem,
contudo, terem direito à cidadania. Explode então a luta de classes em
Roma. Em 494 a.C., os plebeus resolvem abandonar Roma. Eles saem da
cidade, deixando os patrícios sem proteção e serviços. Diante disso, e
vendo sua dependência, os patrícos resolvem dar direitos aos plebeus, os
quais passaram a ter representantes eleitos na Assembléia. Exigiram
também a elaboração de leis escritas pois, até então, só havia leis
orais em Roma e mudavam de acordo com a vontade dos patrícios.
Império Romano
– Tendo formado um poderoso exército, Roma conquistou toda a península
itálica, a Espanha, Portugal, Sicília, e todas as nações em volta do Mar
Mediterrâneo. Forma-se então o Império Romano. Roma se torna a "capital
do mundo", dominando sobre povos de diversas nacionalidades, línguas,
religiões e costumes.
Guerra, riqueza, e desenvolvimento
– As guerras de conquista aumentaram excessivamente a riqueza romana
através do espólio das outras nações. Todo esse poderio econômico
proporcionou um desenvolvimento muito grande na cidade. As famílias
ricas passaram a contratar professores gregos para seus filhos. Além
disso, muitos literatos e artistas gregos se deslocavam para Roma.
Comerciantes de várias nacionalidades iam morar em Roma ou fazer ali os
seus negócios. Desenvolveu-se então a literatura, a engenharia, a
arquitetura e as artes. Nesse tempo, a cidadania romana já não estava
restrita aos patrícios. Ser cidadão já não dependia apenas da
hereditariedade mas se tornara uma questão financeira.
As construções romanas
– Até hoje, o que mais impressiona o visitante de Roma são suas
edificações. Entre elas podemos destacar:
-
O Panteon, onde se encontravam os deuses romanos;
-
O Coliseu, grande estádio onde se realizavam as lutas
entre os gladiadores e onde muitos cristãos foram lançados às feras.
-
Os aquedutos – canais que conduziam água das
montanhas para as cidades.
-
Os relevos – esculturas feitas sobre monumentos.
-
Além disso, podemos citas os templos, palácios,
monumentos (ex.: arcos), estátuas, castelos, e as estradas que
ligavam Roma a todas as partes do Império.
As obras romanas foram muito influenciadas pelo estilo
grego. Contudo, os romanos eram mais realistas. Enquanto que os gregos
faziam monumentos em homenagem às figuras mitológicas, os romanos
honravam pessoas reais, principalmente seus heróis de guerra e seus
governantes.
As catacumbas
– eram buracos cavados em volta da cidade para extração de areia. Eram
tão profundos que acabavam formando túneis e galerias. Na época da
perseguição, os cristãos se escondiam nesses lugares e ali milhares
deles morreram e ficaram sepultados.
Religião
Politeísmo – Desde a antigüidade, a religião romana se
caracterizava pela adoração a diversos deuses. Inclusive, chegaram a
adorar muitas divindades da mitologia grega.
Culto aos antepassados – As famílias tradicionais
adoravam seus próprios ancestrais em seus cultos domésticos.
Culto ao imperador – Estabelecido por Augusto, o culto ao
governante tornou-se parte da religiosidade romana.
Cristianismo clandestino – O cristianismo entrou em Roma
sem reconhecimento oficial. A recusa dos cristãos em relação ao culto ao
imperador foi um dos motivos que deflagraram a perseguição. Após ter
incendiado Roma, o imperador Nero acusou os cristãos. Este foi um dos
momentos de maior perseguição. Segundo a tradição católica, nessa
ocasião Paulo e Pedro foram mortos naquela cidade.
Cristianismo oficial – A partir do governo de
Constantino, o cristianismo foi autorizado. Algum tempo depois, o
imperador Teodósio tornou o cristianismo religião oficial do Império. As
práticas religiosas antigas passaram a ser proibidas. Contudo,
continuaram a existir no campo, nas regiões afastadas dos centros
urbanos. Com isso, entrou no vocabulário religioso o termo "pagão" que
significa "do campo".
Referências bíblicas a Roma:
A bíblia se refere a Roma em Atos, Romanos e II Timóteo. Existem
comentaristas que interpretam a "Babilônia" de I Pedro 5.13 como sendo a
cidade de Roma. Bem maior é o número dos que tem essa interpretação com
relação à "Babilônia" do Apocalipse (cap.17 etc.). O texto fala de uma
mulher sobre 7 montes e embriagada com o sangue dos seguidores de Jesus.
Com efeito, quando João escreveu aquele livro, muitos cristãos já tinham
sido mortos em Roma, a cidade das 7 colinas.
Influência romana
– Roma marcou a história da humanidade e até hoje carregamos suas
influências em diversas áreas. Alguns exemplos: o direito romano, o
estilo artístico, o calendário, os algarismos, o catolicismo, etc. Este
último, com sua estrutura de domínio mundial, nos faz lembrar o antigo
Império.
A IGREJA EM ROMA
Fundação : Em sua epístola, Paulo deixa claro que ainda
não conhecia Roma. Logo, a igreja ali não foi por ele fundada.
Entendemos que Pedro também não participou desse processo pois, se este
ou outro apóstolo fosse responsável por aquela igreja, Paulo não
escreveria uma carta doutrinária para aqueles irmãos. Por outro lado, se
Pedro estivesse em Roma, o mesmo teria sido mencionado nas saudações do
último capítulo. Ambrosiastro, escritor do século IV disse: "Os romanos
abraçaram a fé em Cristo sem ver nenhum sinal de obras poderosas e
nenhum dos apóstolos." No século II surgiu a tradição segundo a qual
Pedro teria exercido ministério em Roma. No século IV iniciou-se a
tradição de que ele teria sido o 1o bispo romano. Quem então
teria fundado aquela igreja? De fato, isso não tem grande importância,
mas sempre gostamos de ter um nome para a atribuição das honras. É isso
que fomenta o surgimento das tradições. Uma das hipóteses mais prováveis
é que a igreja tenha sido fundada no ano 30 pelos judeus de Roma que
estiveram em Jerusalém no Pentecostes – At.2.10,11.
A colônia judaica em Roma
- Desde a conquista de Jerusalém por Pompeu no ano 63 a.C., muitos
judeus foram morar em Roma. No governo de Cláudio foram expulsos –
(At.18.2). A ordem foi revogada por Nero poucos anos depois. Quando
Paulo chegou a Roma, no ano 60 (At.28) ele encontrou judeus que ali
residiam. (É bom lembrar que o envio da epístola é anterior a essa
"visita").
A igreja em Roma era composta de judeus e principalmente
gentios. Na epístola, Paulo fala aos judeus e aos gentios de forma
específica e direta alternadamente (Rm.1.5-7,13; 2.17-24). Sendo pessoas
de origens, tradições e costumes tão distintos, era natural que a
convivência entre eles apresentasse suas dificuldades. O apóstolo
procura tratar dessa questão no capítulo 14.
A EPÍSTOLA AOS ROMANOS
"O EVANGELHO SEGUNDO PAULO" (RM.2.16)
Autor:
Apóstolo Paulo
Escritor:
Tércio – Rom.16.22.
Data
– Ano 58 – entre 53 e 58 (3ª viagem missionária).
Local
– Corinto.
Portadora
– Febe – (Rm.16.1-2).
Tema-
O evangelho de Cristo
Texto chave:
1.16 e 5.1
Classificação:
soteriologia (doutrina da salvação).
A epístola de Paulo aos Romanos é uma obra prima da
teologia cristã, destacando-se entre os livros do Novo Testamento. É um
tratado teológico sobre a salvação. Lutero chegou a dizer: "Se
tivéssemos de preservar somente o evangelho de João e a epístola aos
Romanos, ainda assim o cristianismo estaria a salvo."
A carta nos apresenta um resumo da bíblia e da história
humana sob o ponto de vista teológico. O autor menciona Adão (5.14),
Abraão (4.13), Moisés (5.14), Israel (11.25), o Velho Testamento (1.2),
Jesus (10.9), a salvação (10.9), a igreja (16.1), o juízo (2.16) e a
glorificação dos salvos (8.30). Esses versículos são apenas alguns
exemplos dentre tantos que mencionam tais temas e pessoas.
Objetivo de Paulo - Paulo queria expor aos romanos seu
entendimento a respeito do evangelho e prepará-los para sua futura
visita, quando estivesse a caminho da Espanha. (Rm.15.22-24).
ESBOÇO (RM.)
I – Introdução – 1.1-17
Apresentação pessoal, saudação, tema (16-17).
II – O problema humano – 1.18 a 3.20.
O pecado, sua universalidade e suas conseqüências.
III – A solução divina – A salvação: 3.21 a 5.21.
A origem do pecado e a origem do perdão.
O método da salvação: justificação pela fé no sacrifício
de Cristo.
IV – A santificação – 6 a 8.
Ação do Espírito Santo na vida do salvo.
V - A soberania divina – 9 a 11.
Judeus e gentios no plano de Deus.
VI – O cristianismo prático – 12 a 15.13.
A vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações
pessoais.
O serviço cristão.
V – Conclusão – 15.14 a 16.27.
Assuntos pessoais, admoestações e saudações finais.
COMENTÁRIO
Deve-se observar a organização de Paulo. A carta
apresenta um desenvolvimento em uma seqüência bem ordenada. Temos:
Introdução, histórico, ilustração (Abraão), teoria e exemplos de
aplicação prática.
I – Introdução – 1.1-17
Apresentação pessoal, saudação, tema (1.1, 16-17).
As cartas antigas eram iniciadas com três elementos:
identificação do remetente, identificação do destinatário e saudação.
Vemos isso na epístola aos Romanos. Paulo se apresenta de forma humilde,
como servo, chamado para o apostolado e separado para o evangelho. Desse
modo, a autoria fica bem definida. Os destinatários são claramente
indicados no verso 7. No próprio verso 1, o tema já surge: "o evangelho
de Deus". A partir desse ponto, o autor pára de falar de si mesmo e
passa a discorrer sobre a trindade, destacando o Filho. O Pai é
mencionado nos versos 1, 2 e 7. O Espírito Santo é mencionado no verso
4. Jesus é mencionado em vários versículos, pois ele é o personagem
principal no tema escolhido.
Em sua introdução, Paulo apresenta o vínculo entre a
história, a humanidade e a divindade. O elemento histórico é o rei Davi.
A questão humana é a descendência carnal de Cristo. O elemento divino é
a declaração da sua filiação divina. Esta abordagem demonstra que o
evangelho de Deus está cravado no contexto humano de forma
historicamente comprovada. O ápice da apresentação do tema se dá nos
versos 16 e 17.
II – O problema humano – 1.18 a 3.20.
O pecado, sua universalidade e suas conseqüências
(condenação e morte).
No desenvolvimento da epístola, Paulo vai falar do
evangelho, mas os romanos poderiam perguntar: para quê evangelho? O
apóstolo, em sua excelente organização literária, vai demonstrar aos
seus leitores os fatores que evidenciam a necessidade que os
homens têm do evangelho. Este seria apresentado como um "remédio", mas,
para isso, torna-se imperioso que a "doença" seja diagnosticada. Isto é
feito de forma magistral pelo "doutor" Paulo. Nesse momento ele quer
despertar a consciência dos romanos, então chama a atenção para práticas
pecaminosas tais como a idolatria (1.23-25), o homossexualismo (1.27), a
prostituição, o homicídio, e uma lista que inclui até à desobediência
aos pais (1.29-31).
Os romanos eram a elite política do império. Os judeus
eram a elite religiosa, pelo menos para si mesmos. Os gregos eram a
elite cultural. Eles poderiam se considerar acima das questões apontadas
por Paulo. Entretanto, o autor apresenta, de forma contundente, a
universalidade do pecado. Ao citar gentios, judeus, bárbaros,
romanos, gregos, sábios e ignorantes, ele não deixa ninguém de fora da
sua abordagem (1.13-16). Isso se evidencia de forma definitiva no
capítulo 3, onde lemos: "Não há um justo sequer", (3.10). "Toda boca
esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus" (3.19).
"Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (3.23).
O pecado é, em si mesmo, maligno. Contudo, muitas vezes
só conseguimos ver essa malignidade através das suas conseqüências. É
como uma doença que só é notada e sentida quando surgem os sintomas.
Contudo, a doença é muito mais profunda do que os sintomas. As
conseqüências do pecado são diversas e se apresentam nas mais variadas
esferas da vida humana. Contudo, os piores efeitos são: a morte, que é o
salário do pecado (6.23), e a condenação divina (3.19). Se a morte fosse
o fim, tudo estaria então resolvido. Porém, o pior vem depois. Conforme
diz a epístola aos Hebreus, depois da morte vem o juízo (Hb.9.27).
III – A solução divina – A salvação: 3.21 a 5.21
A origem do pecado e a origem do perdão.
O método da salvação: justificação pela fé no sacrifício
de Cristo.
Fazendo um exame mais profundo, Paulo vai explicar como o
pecado entrou na história humana. Após ter diagnosticado a "doença", o
autor vai buscar sua causa. Então, ele menciona Adão, como sendo o
primeiro pecador humano. Na condição de representante da humanidade, o
primeiro homem passou a natureza pecaminosa a todos os homens.
Novamente, a universalidade do pecado está evidente (3.23). Para o
alívio dos leitores, não só o pecado é universal, mas também o amor de
Deus possui a característica da universalidade. Já no capítulo 1 o autor
diz que os destinatários são "amados de Deus". Afinal, o amor de Deus é
o pressuposto fundamental do evangelho, conforme se observa em João
3.16.
Paulo não se limita a mostrar o problema humano e suas
conseqüências. Afinal, mostrar o problema é muito fácil e muitos estão
fazendo isso a todo tempo. As religiões, as ciências humanas e os meios
de comunicação estão mostrando o pecado humano e suas conseqüências
diariamente, embora utilizem outros nomes para tudo isso. O tema da
epístola aos Romanos é o evangelho e o objetivo do evangelho é a
salvação (1.16), e não o enriquecimento material dos convertidos. Depois
que o homem está convencido do seu pecado e da respectiva condenação, a
salvação se torna muito interessante. Mas, como ela ocorre? E por quais
meios? Faz parte do evangelho a resposta a essas questões. E Paulo se
dedica a explicar o método divino para a salvação do homem.
A salvação não ocorre por meio das obras e nem
através da lei. Os mandamentos da lei são santos, justos e bons
(Rm.7.12), porém não salvam. A lei serve para mostrar o pecado e
determinar a condenação. Mostrando o pecado, a lei é útil. Porém, não
salva. A lei serve para mostrar ao homem a necessidade que ele tem da
obra de Jesus Cristo. Tal obra foi o seu sacrifício na cruz, sua morte.
Entretanto, tal obra não tem efeito automático. Se assim fosse, toda a
humanidade estaria salva a partir do momento em que Cristo expirou. Ao
sacrifício de Cristo deve ser aplicada a fé, pois a
salvação é para "todo aquele que crê" (Rm.1.16).
A fé no sacrifício de Jesus produz a justificação.
Conforme diz Paulo: "sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com
Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo." (Rm.5.1). Justificação é o
ato divino de nos declarar justos. Voltando a Romanos 3.10, temos as
palavras de Paulo dizendo: "Não há um justo sequer."
No capítulo 5, este problema está resolvido, pois Deus
nos declara justos pelos méritos de Cristo. Por natureza, não somos
justos, mas pela graça de Deus somos, pois a justiça de Jesus nos é
imputada. "Imputar", de acordo com o dicionário Aurélio, significa
"aplica um pagamento a determinada dívida". Podemos entender a imputação
como um crédito aplicado a uma conta corrente. Paulo disse que Abraão
creu e sua fé lhe foi imputada como justiça, ou seja, a fé de Abraão foi
considerada como justiça. Da mesma forma a justiça do homem Jesus, sua
vida santa, é imputada a todo aquele que nele crê. Sua justiça é
creditada em nossa "conta" que estava "negativa" por causa da dívida do
pecado. Assim, nossa débito é pago e ficamos em paz com Deus, a quem
jamais poderíamos pagar. Por isso, a salvação é o "dom gratuito de Deus"
(Rm.6.23). Sendo gratuito, não faz sentido nenhum tipo de pagamento que
se pretenda estabelecer para a obtenção do perdão divino. A gratuidade
da salvação não significa que ela não tenha um preço, mas indica que
esse preço já foi satisfatoriamente pago através do sangue do nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
IV – A santificação – 6 a 8.
Ação do Espírito Santo na vida do salvo.
"Onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Rm.5.20).
Tamanha graça divina poderia ser erroneamente interpretada como licença
para o pecado. "Permaneceremos no pecado para que a graça abunde? De
modo nenhum. Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda
nele?" (Rm.6.1-2).
A obra de Deus na vida do crente não se resume à
justificação. Podemos comparar a justificação à saída dos israelitas do
Egito. Esta é uma ilustração excelente para a salvação. Porém, após
retirar o povo do Egito, Deus precisava tirar o Egito do coração do povo
israelita. Foi o processo do deserto, o qual nós podemos comparar com a
santificação do salvo. Este consiste na formação do caráter de Cristo em
nós. É uma parte essencial do que costumamos chamar de "crescimento
espiritual". Pela justificação, Deus perdoou todos os nossos pecados
passados. Pela santificação, vamos nos livrando dos hábitos pecaminosos.
Embora muitos possam alegar que tudo isso acontece instantaneamente
quando se aceita a Jesus, a realidade nos mostra o contrário. O próprio
Paulo demonstra esse conflito quando diz: "não faço o bem que quero, mas
o mal que não quero, esse faço." (Rm.7.19). Qual seria o escape para
esse dilema prático? A operação do Espírito Santo na vida do crente em
junção com a vontade humana e o exercício pessoal da obediência.
"Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em
Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito."
(Rm.8.1). Nesse processo, entra, de forma determinante, a Palavra de
Deus. O Espírito Santo opera em nós na medida em que conhecemos a
Palavra de Deus e procuramos aplicá-la (Rm.10.17; Ef.5.26). Santificar é
"separar". Santificação é a separação do salvo de tudo aquilo que não
condiz com sua nova condição espiritual. Lembremo-nos do relato da
ressurreição de Lázaro. Estando já ressuscitado, ele ainda se encontrava
imobilizado por muitas ataduras mortuárias. Era um vivo com cara de
morto, cheiro de morto, aspecto de morto. Era preciso que tudo aquilo
fosse removido. A santificação dos crentes é uma das principais funções
do Espírito Santo no mundo. É a preparação da noiva, a igreja, para o
seu encontro com o noivo, Jesus.
V - A soberania divina – 9 a 11
Judeus e gentios no plano de Deus.
Nessa parte da epístola, o apóstolo Paulo se dedica a
mostrar aos Romanos o valor dos judeus e sua posição no plano de
salvação. Se os romanos não valorizassem os judeus e não reconhecessem
neles a origem da revelação divina, como poderiam valorizar a pessoa de
Jesus? Mesmo nós, hoje, aceitamos o cristianismo porque entendemos que
"a salvação vem dos judeus" (João 4.22). Esse destaque para Israel
parecia incompatível com a rejeição que os próprios judeus demonstraram
à pessoa de Cristo. Paulo então, expõe alguns detalhes históricos do
povo de Deus, sua incredulidade, sua desobediência e seu distanciamento
do evangelho. Dizer que Israel era o povo escolhido de Deus poderia soar
muito estranho para os romanos. Paulo demostra enfaticamente que Deus é
soberano. Ele escolhe a quem quer e rejeita a quem quer. Logo, se Deus
escolheu Israel, não se deve questioná-lo por isso. Deus tem razões
anteriores às suas soberanas decisões. Sua presciência, conhecimento
antecipado, faz com que as evidências das suas escolhas apareçam antes
dos fatos que lhes deram causa. Então, a situação pode ter aparência de
injustiça aos olhos humanos. Antes que Jacó e Esaú nascessem, Deus
disse: "Amei a Jacó e aborreci a Esaú." (Rm.9.11-13). Então, Jacó já
nasceu como escolhido de Deus, enquanto que Esaú nasceu rejeitado, mas
tudo isso porque Deus já via qual seria, no futuro, a decisão de cada um
daqueles meninos diante do plano divino. Deus, em sua presciência, sabia
que o "enganador" se converteria e que o primogênito desprezaria sua
primogenitura. Contudo, tais atitudes não foram determinadas por Deus,
mas por eles mesmos.
O conceito de soberania poderia nos levar a pensar que
abaixo de Deus, apenas a sua vontade é feita. Mas não é assim. A
soberania divina significa que acima dele não existe mais ninguém.
Abaixo dele, nem todos obedecem à sua vontade. Contudo, até a
desobediência se encontra debaixo da soberania. Os homens desobedecem
porque Deus lhes deu um limitado campo de ação onde a vontade humana
prevalece.
Quando pensamos em soberania divina, eleição e
predestinação, podemos pensar que toda a história e o destino humano
dependem única e exclusivamente de Deus que, por sua absoluta decisão,
escolheu quem haveria de se salvar e quem haveria de se perder,
independentemente de qualquer ato ou vontade dos seres humanos. Esta
posição é defendida por muitos teólogos. A outra maneira de se entender
tudo isso é através da consideração da presciência de Deus como base da
eleição e da predestinação. Assim, Deus elegeu e predestinou as pessoas
porque já sabia antecipadamente qual seria a decisão de cada uma delas
em relação à pessoa de Jesus Cristo. Como disse Pedro, somos "eleitos
segundo a presciência de Deus" (I Pd.1.2). E voltando a Romanos, "os que
dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de
seu Filho Jesus..." (Rm.8.29). Antes da predestinação existe um
conhecimento. Esta é a presciência de Deus a respeito das decisões
humanas no uso de seu livre-arbítrio.
A soberania divina não anula a liberdade humana. Paulo
mostra que podemos escolher. Ele diz: "Não sabeis vós que a quem vos
oferecerdes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem
obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?"
(Rm.6.16). "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que
apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a
Deus, que é o vosso culto racional." (Rm.12.1). Nesses textos,
observamos a vontade humana em ativa participação no destino espiritual
de cada um.
VI – O cristianismo prático – 12 a 15.13.
A vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações
pessoais.
A transformação operada pelo evangelho na vida humana
deve ter dois aspectos: a pessoa deve deixar de fazer o mal e começar a
fazer o bem (Is.1.16-17). A justificação é quase um sinônimo de perdão.
A santificação seria o "deixar de fazer o mal". É o abandono de práticas
pecaminosas. Contudo, o processo de ação do evangelho ainda não está
concluído. Deixamos de fazer as coisas erradas e agora precisamos
começar a fazer as coisas certas. Deixamos de servir ao Diabo e
precisamos servir a Deus ativamente. Libertos do pecado, tornamo-nos
servos da justiça (Rm.6.18). Os mandamentos divinos se dividem em
proibições e ordens. São mandamentos negativos e positivos. Os negativos
são aqueles que começam com o advérbio "não" e nos mostram os atos e
atitudes que devem ser abandonados: "Não matarás", "Não adulterarás",
etc. (Rm.13.9-10). Os mandamentos positivos são aqueles que nos ordenam
à ação. Por exemplo, "honra teu pai e tua mãe." No desenvolvimento da
vida cristã, temos a fase que podemos comparar `a limpeza de um terreno.
Talvez haja alguma construção a ser demolida, algum lixo a ser removido,
etc. Depois, deve vir a fase de edificação de acordo com o novo
propósito. Por isso Paulo nos admoesta a apresentarmos os nossos corpos
para o trabalho cristão. Entendemos assim pela análise do conteúdo do
capítulo 12. O cristianismo não se resume em espiritualidade, mas em
ação. As obras não salvam, mas o salvo pratica boas obras.
Paulo nos convida ao serviço cristão. O apóstolo usa
sempre os conceitos de servo e senhor, figuras tão presentes na
organização social do Império Romano. Ele mesmo fora chamado para ser
apóstolo. Sua vocação não era apenas para a salvação, mas para o serviço
sagrado. Somos convidados a apresentar os nossos corpos (12.1)
para o serviço no corpo de Cristo (12.5). Orar é bom e
necessário, mas não é tudo. É preciso ação na igreja através dos dons
espirituais e dos ministérios.
A igreja não é o único campo de ação do cristão nem deve
ser um esconderijo ou lugar de alienação. Precisamos enxergar além dos
limites do nosso grupo de irmãos, não para lançar mão das imundícies do
mundo mas para desempenharmos nele o nosso papel como bons cidadãos e
agentes do bem. Por isso Paulo insere a questão da sujeição às
autoridades, o pagamento dos impostos e de toda dívida (Rm.13.1,6,7,8).
Deve haver coerência entre nossa ação na igreja e no mundo. Quando Jesus
perguntou: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?", ele só obteve
respostas positivas, embora nem todas estivessem corretas. E quais serão
as respostas se fizermos a mesma pergunta a respeito de cada um de nós?
O que as pessoas dizem a nosso respeito? Que "títulos" receberemos
delas? Ainda que os títulos não tenham grande valor, se forem negativos
podem ter grande peso contra o evangelho e contra o nome de Jesus.
Além das relações a nível social ou institucional, temos
relações pessoais diversas. Depois de termos consciência do nosso papel
na igreja e na sociedade, precisamos ter bem em mente alguns princípios
que irão reger nossos relacionamentos individuais. Então, Paulo chega ao
nível do tratamento com "o próximo". O evangelho deverá reger tudo isso.
V – Conclusão – 15.14 a 16.27
Assuntos
pessoais, admoestações e saudações finais. Uma extensa lista de nomes e
uma cativante relação de observações pessoais e saudações é citada e
dirigida a uma serie de fieis, e de muitos os quais faz contar as
virtudes que os adornam. Paulo termina esta epístola unindo as suas
saudações também a Timóteo seu fiel colaborador e Tércio que escreveu a
epístola. Faz menção também a alguns parentes, como Lúcio, Jasom e
Sosípatro (16.21-22).
O capitulo 16
não registrar somente saudações e recomendações mais dedica também as
suas últimas palavras para animar os seus leitores e para afirmar a
vitória reservada aos que confiam no poder de Deus: “E o Deus da paz, em
breve esmagara debaixo dos vossos pés a satanás” ( Rm 16.20).
E
finalmente, uma esplêndida doxologia encerra a epistola com chave de
ouro (Rm. 16:25-27).
Espero que
tenha sido abençoado.
Deus é
contigo
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Fonte: Apostila do SEBEMGE.
Bíblia Almeida Revista e
atualizada;
Pr. Adélcio
Ferreira.
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