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                                Multiforme graça ou tempos de aridez?

 
 
"Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. (...) Naquele dia as virgens formosas e os jovens desmaiarão de sede" (Amós 8.11; 13).

Fenômeno! E não é Ronaldo "Nazário-tá-fininho-hein-bolão?". É Deus! A reportagem de capa da Época "Deus é pop", informa que o IBGE obteve 35 mil respostas diferentes para a pergunta "Qual é a sua religião?" e exalta a tolerância de líderes que não julgam o livro pela capa: "A igreja não pode julgar", disse uma jovem com uma tatuagem enorme no colo do peito, "ela está lá para transformar sua vida, e não sua aparência". Belas palavras, impactantes. Mas, é isto mesmo?

Bem, desde que Simão Pedro celebrou a "multiforme graça de Deus" (1 Pd 4.10) qualquer crítica a estes movimentos gera reações negativas. Muita gente entende que Deus se manifesta nas novidades que sintonizam a Palavra de Deus de acordo com certas cores, sons e formatos por questão de relevância. Assim a igreja passa de denominacional para tribal: "Eu sou de ninguém/ Eu sou de todo mundo/ E todo mundo me quer bem". É por aí, mesmo.

Duas semanas atrás a mesma revista fez uma projeção de como seria o Brasil daqui a 11 anos em várias áreas, inclusive a religiosa, e seríamos metade de evangélicos. No entanto especialistas dizem: “os evangélicos não vão apenas mudar a sociedade brasileira. Eles mudarão com ela.” É por isso que meu entusiasmo fica pelo caminho.

Depois da onda de pastores de jovens, igrejas para jovens. Os líderes da “velha guarda” já não sabem o que a juventude quer. A “guerra” do Cantor Cristão contra os corinhos dividiu as gerações. Jovens saíram da igreja, mas sentiram fome e sede da Palavra, mas não voltaram para as origens. Ofereceram-lhes algo mais adequado, menos ameaçador. É por isso que há igrejas de surfistas, de lutadores, para gays, punks, pagodeiros, de artistas, para ricos e para pobres e, curiosamente, quase todas – se não todas – de linha pentecostal (é uma constatação). Mas há muita ironia nisso tudo.

Algumas pregam castidade, fidelidade e regras morais politicamente corretas, contrariando especialistas que apostam na flexibilização. Mas é aí que mora o perigo. Precisamos do Evangelho e não somente de regras morais. Moralidade sem Evangelho é farisaísmo. Outras pregam tolerância ignorando determinados mandamentos. Evangelho sem ética é barateamento da Graça.

Em que pese se multiplicarem igrejas de vários tipos, a Palavra de Deus não tem sido pregada. Jovens desmaiarão de sede, conforme a profecia de Amós. Essas igrejas estão perdendo a oportunidade de apresentar Jesus, mesmo que Ele seja menos “pop” do que se deseja. Esses jovens não querem ser julgados pela aparência, mas não se interessam em discernir os espíritos e o espírito da profecia que pode parecer correta exteriormente, mas que não resiste a uma simples exegese (interpretação bíblica). Eles, sem saber, julgam seus líderes apenas pelo que veem.

Igrejas-tribos crescem, mas sem a pregação bíblica. Será que Amós veio tão longe? Ao que tudo indica, sim. Mas ele não falava de um tempo em que as igrejas não existirão. Elas estarão aí por muito tempo. O Evangelho de Jesus é que está desaparecendo de seus púlpitos. Será que acordaremos a tempo? Temo que poderá ser tarde demais.

 

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