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A palavra nos corações dos
santos de Deus.
Os eruditos, em sua maioria,
concordam que a unção da soberania de Deus deu-se na libertação de
Israel do Egito. Esse evento abre espaço para reflexões em várias
áreas, como: A fidelidade de Deus diante de sua palavra dirigida aos
antigos; O fato de Israel continuar o mesmo povo depois de viver por
cerca de 430 anos numa terra cheia de ídolos e religiões fortes pode
ser tido como milagre dos cuidados de Deus. Da escolha e vocação de
Moisés para ser o intercessor entre Deus e seu povo; as
demonstrações do poder de Deus diante dos ídolos famosos dos
egípcios; a instituição da Páscoa como sinal de libertação e bênção,
etc. são modos de se ler os milagres de Deus. Todos os
acontecimentos visavam estreitar o relacionamento entre Deus e seu
povo. Além disso, todos os acontecimentos tinham como objetivo maior
fazer com que todo o povo liberto entendesse o projeto de redenção
que o Eterno estava levando avante, desde os tempos antigos. E, por
fim, todos os eventos que se deram na saída do povo do Egito,
queriam mostrar que a vida plena de Deus poderia desabrochar no seio
de seu povo, para enfrentar o processo de morte, representado nessa
ocasião pela multiplicidade religiosa dos egípcios. O Egito foi um
túmulo aberto. As prerrogativas da morte desenvolvem-se com
facilidade nas religiões e mistérios egípcios. Deus, então,
intervém, com poder e graça, redimindo, libertando e dando vida
plena a Israel. Mais tarde, versos, prosa, hinos, instrumentos e
homens santos, cantaram as grandezas de Deus nesse processo de
redenção.
Temos que encaminhar nossos
pensamentos para a fundamentação da fé, que se torna elemento
abrangente na compreensão de um Deus muito maior que todas as suas
obras, maior que a história dos homens, maior que toda as culturas e
ciências. Ele está por trás das palavras mosaicas, que foram
instrumentos usados para iluminar nossos corações e nos encaminhar
na direção do Eterno, por meio da fé.
Toda a grandeza do culto e da
liturgia celebrados no Tabernáculo e mais tarde no Templo de
Jerusalém, é uma amostragem simples sobre um Deus imensamente
grande. Como já vimos, seus feitos e suas palavras deram-se numa
perspectiva de relacionamento, atitude livre e graciosa para com seu
povo. Toda a caminhada do êxodo até chegar às divisas da terra
prometida, foi um período pedagógico, no qual o Senhor quis mostrar
como era importante a comunhão em parceria, ou seja, Deus fazendo a
sua parte e Israel cumprindo com sua parte. Nada complicado. Tudo
simples e claro. O Deus todo-poderoso andava no meio do povo como se
fosse um guia como qualquer outro ser. Deus não fazia demonstrações
de grandeza e de superioridade. Falava em hebraico com Moisés, de
modo claro e compreensível. Tratava de cada problema do povo, quer
de sede ou de fome, como um pai de família, iluminava o caminho
durante a noite e refrescava sua gente com a nuvem que os acobertava
durante o dia. Os fatos que envolveram o povo e que redundaram em
perdas, mortes e enfermidades, foram decorrentes da maldade
residente nos corações das pessoas. Notem, que mesmo nessas
circunstâncias adversas, ainda o que ficava patente era o amor e a
graça de Deus. O projeto de Deus para o povo que transitava, agora,
sob a perspectiva do Reino de Deus, era a vida e não para a morte.
O Dr. Wright, em sua obra “O Deus
que Age”, afirma: “Ao contrário, o problema da existência era
enfrentado na relação com a vontade e propósito redentor com vistas
a todo o universo, cf Gn 12.3. E a eleição não se apoiava no mérito
de um povo, mas na graça misteriosa. A realidade da eleição era
confirmada pelos atos portentosos de Deus, manifestos e conhecidos
de um modo particular na libertação do Egito e na dádiva da
herança”. A história que se desenvolve ao redor da humanidade é
construída por Deus e o Eterno transcende a natureza e a própria
história. Por isso, a nossa fé não se fundamenta nos atos dos homens
que constroem uma história, mas no Deus que antecede e comanda os
fatos da história.
A palavra habita a terra.
O livro do Êxodo mostra a grandeza
de um Deus todo-poderoso que ensina seu povo como viver bem em sua
augusta presença. O livro de Números mostra a grandeza de Deus na
condução de seu povo, sua organização interna, sua formação
religiosa e social. O livro de Levítico mostra a grandeza de Deus na
formulação do culto e sua liturgia. É o livro de Deuteronômio que
nos mostra a dinâmica de Deus. Consideramos o quinto livro do
Pentateuco uma cartilha onde se rememora as palavras e os feitos de
Deus e se ensina um novo povo como possuir a herança que o Eterno
tinha prometido aos antigos. A literatura deuteronômica é uma das
mais belas já conhecidas e utilizadas nas mais diversas ocasiões em
tempos antigos e próximos. A grandeza da literatura deuteronômica
está intimamente relacionada ao governo teocrático, proposto no
Éden, numa visão de Reino Eterno. Ele mesmo declarou, quando o povo
estava nas regiões de Refidim: “E habitarei no meio dos filhos de
Israel, e serei seu Deus”, cf Êx 30.45. Essa compreensão se amplia
com a palavra
profética denominando o Messias de
“Emanuel”, que quer dizer “Deus conosco”, palavra que se cumpriu com
o nascimento de Jesus de Nazaré, cf Mt 1.23, lembrando Isaías 7.14.
Por isso, dizemos, formando um coro
com muitos eruditos da Bíblia que, a luz deuteronômica brilhou nas
palavras e nos feitos de Jesus Cristo, nosso Senhor. Do mesmo modo
como Moisés rememorou, aos ouvidos do povo dos seus dias, os feitos
e as palavras do Eterno, Jesus, à semelhança de Moisés, rememorou na
perspectiva do espírito, as palavras e os feitos do Pai Amado, desde
a fundação do mundo. Aos ouvidos dos hebreus repetiu muitas vezes:
“Ouvistes o que foi dito aos antigos (...); Eu, porém, vos digo
(...).
Qual a mensagem que o Pentateuco
nos tem passado? Que o Deus Eterno, Todo-poderoso, terno e bondoso
em seus feitos e fiel em sua palavra, agiu, age e agirá em nosso
espírito, falando aos nossos corações como Pai amado e Deus de nossa
salvação.
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Fontes:
Semana Teológica – A mensagem do Pentateuco (Rev. Jair
Alvares Pintor)
Bibliografia:
Alonso Schökel – A Palavra Inspirada
Edições Loyola – São Paulo – 1992.
Archer Jr. Gleason – Merece Confiança o Antigo
Testamento – Panorama de Introdução
Vida Nova – São Paulo – 1974 – 1a. edição
Kaiser Jr. Walter C. - Teologia do Antigo Testamento
Vida Nova – São Paulo – 1980
Martin-achard, Robert – Como Ler o Antigo Testamento
ASTE – São Paulo – 1970
Shreiner, Josef – Palavra e Mensagem do Antigo
Testamento
Teológica – São Paulo – 2004.
Van Groningen, Gerard – Revelação Messiânica no Velho
Testamento
Luz Para o Evangelho – Campinas – SP, 1995
Von Rad, Gerhard – Teologia do Antigo Testamento
ASTE – São Paulo – 1986
Wright, G. Ernest – O Deus que Age
ASTE – São Paulo - 1967
Young, Edward J. - Introdução ao Antigo Testamento
Vida Nova – São Paulo – 1964
SEMINÁRIO PRESBITERIANO DE JESUS
Adaptação estudos:Pr. Adelcio Ferreira
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