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A palavra de vida no
chamamento de Abraão.
No plano teológico, as
várias centenas de anos que se passaram de Noé até Abraão,
constituiu-se num período pedagógico, onde os ecos do Dilúvio
serviram de advertência. Pelas informações dos textos bíblicos, os
homens, senão todos, pelo menos uma boa parte, resolveram
providenciar sua própria redenção por meio da construção de um
gigantesco zigurate, cf Gn 11. Deus visitou os homens, indagou deles
suas intenções e objetivos. Descobriu que seus planos eram sérios e
definitivos. O caminho da morte estava aberto e escancarado diante
da vontade doentia do ser humano. Então Deus agiu por meio do
chamado e da vocação de um homem arameu, rico e abastado, mas cheio
de esperanças em dias melhores. A vida, por meio da graça redentora
de Deus, deveria ser levada a todas as nações da terra. São as
palavras do Eterno ao seu cooperador Abraão. “Em ti serão benditas
todas as famílias da terra” cf Gn 12. A promessa é universal. Abraão
creu, foi justificado, foi santificado e autorizado a transmitir
vida ao mundo. É do coração de Abraão que tem início a história da
relação entre Deus e seu povo. Agora são dois povos. Um é o povo de
Deus, vocacionado, chamado e separado para conduzir as prerrogativas
da vida ao mundo. Do outro lado estão os povos distantes de Deus em
sua ignorância, idolatria, atos de injustiças e participando das
inomináveis abominações. Deus se faz presente no meio de seu povo,
ou melhor dizendo, o povo de Deus tornou-se sinal vizível Deus no
mundo. A aliança de Deus com Abraão, de cunho universal, abre espaço
para o que conhecemos como história do povo de Deus, tema bem
elaborado e trabalhado por Walter Kaiser, em sua obra “Teologia do
Antigo Testamento e por Gerhard von Rad, em sua obra, também chamada
“Teologia do Antigo Testamento”. Kaiser nos privilegia pelo destaque
da promessa da semente, cf Gn 3.15; pela promessa de que Deus
habitaria as tendas de Sem, cf Gn 9.25-27 e pela promessa de vida
com alcance mundial, cf Gn 12.1-3. O autor reivindica do estudante
da Bíblia, maior cuidado com a exegese do texto da criação,
exatamente porque julga que muitos eruditos excluem de suas
exposições essa parte da Escritura. O segundo autor, von Rad, inicia
seus escritos destacando um capítulo para dissertar sobre a fé de
Israel em Javé. Nesse capítulo, quando fala sobre o papel da crítica
literária, von Rad afirma: “Assim sendo, o caminho que vai da
exposição das fontes escritas ao acontecimento histórico, revela-se
muito mais longo, pois o aspecto simplesmente histórico das fontes,
tomada como ponto de partida pelos pais da crítica literária, é
antes o estágio final a que chegou a longa história da interpretação
da pré-história de Israel. Tudo é moldado pela fé e o próprio
encadear dos acontecimentos, formando uma extensa marcha para a
salvação, não é uma crônica histórica, mas uma afirmação da fé em
Deus, que dirige os acontecimentos”. Notem, então, que
teologicamente falando, Israel existe, nos pensamentos de Deus,
antes da fundação do mundo, do mesmo modo como o apóstolo Pedro
declara que, Jesus Cristo, cordeiro de Deus, foi, conhecido antes da
fundação do mundo, cf I Pe 1.20. Ora, o tempo da pré-história de
Israel foi marcado pela fé, onde homens santos procuraram
separar-se, envergonhados, das obras de homens que praticavam a
injustiça pela iniqüidade de seus atos. Assim, a história da fé é
matéria do pentateuco, começando com Gn 1.1.
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Fontes:
Semana Teológica – A mensagem do Pentateuco (Rev. Jair
Alvares Pintor)
Bibliografia:
Alonso Schökel – A Palavra Inspirada
Edições Loyola – São Paulo – 1992.
Archer Jr. Gleason – Merece Confiança o Antigo
Testamento – Panorama de Introdução
Vida Nova – São Paulo – 1974 – 1a. edição
Kaiser Jr. Walter C. - Teologia do Antigo Testamento
Vida Nova – São Paulo – 1980
Martin-achard, Robert – Como Ler o Antigo Testamento
ASTE – São Paulo – 1970
Shreiner, Josef – Palavra e Mensagem do Antigo
Testamento
Teológica – São Paulo – 2004.
Van Groningen, Gerard – Revelação Messiânica no Velho
Testamento
Luz Para o Evangelho – Campinas – SP, 1995
Von Rad, Gerhard – Teologia do Antigo Testamento
ASTE – São Paulo – 1986
Wright, G. Ernest – O Deus que Age
ASTE – São Paulo - 1967
Young, Edward J. - Introdução ao Antigo Testamento
Vida Nova – São Paulo – 1964
SEMINÁRIO PRESBITERIANO DE JESUS
Adaptação estudos:Pr. Adelcio Ferreira
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