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Cristo, a palavra diante da
criação dos céus e da terra.
Optamos, aqui,
pelo uso do advérbio “diante de” em lugar da preposição “em o = no
ou em a = na”. Admitimos que Deus se auto-revela diante da obra
criada e não nela ou por meio dela. Uma coisa é Deus, em sua
essência, revelando-se diante de alguma coisa e outra coisa é Deus
criando alguma coisa que O revele. Deus é antes de “alguma coisa” e
não é o que é, por meio da coisa criada. A nossa leitura do
Pentateuco deve começar pela idéia clara daquilo que Deus é antes da
criação do mundo e de todas as coisas que nele existem. Não podemos
ver a obra criada e procurar, por meio dela, encontrar a compreensão
daquele que fez todas as coisas. Isso é próprio daquele que não
recebeu o dom da fé, conforme teologia paulina em Rm 1. As palavras
que Moisés usou para narrar os feitos e as palavras do Eterno, são
meras gotas d'água num imenso oceano que possamos imaginar, seja o
Senhor. As palavras, em todo o seu sentido semântico, não poderiam
exprimir a grandeza do Espírito que é nosso Deus. Então temos que
admitir: Só podemos conhecer a Deus pelo que Ele revelou em sua
palavra. Amém. Concordamos. Todavia perguntamos: Que palavra ou qual
palavra? Qual é a palavra que dá sentido e conteúdo à narrativa
mosaica? A palavra é Cristo, ou melhor dizendo, o espírito da
palavra é Cristo, autor de toda obra criada, autorizado pelo poder
do Espírito Eterno, cf Jo 1.3; Cl 1.15,16; Hb 1.2,3. A informação
que a teologia bíblica nos dá é que “Ele é antes de todas as
coisas”. Aqui está o sentido da fé, pois os teólogos perguntam: Como
conhecer alguém sem que esse alguém se expresse de alguma forma? Não
podemos negar que os eruditos tenham razão. O que podemos fazer é ir
além da proposta deles, ou seja, lançamos nossa crença naquele que é
o que é antes de ter criado todas as coisas. Isto significa que Deus
é o que é antes de qualquer revelação, seja de coisas criadas, da
formação do homem ou de seus grandiosos atos de poder,
justiça,misericórdia e fidelidade. Ele é o que é e podemos inferir
que Ele é muito mais do que possamos entender ou procurar entender.
A reflexão sobre a palavra escrita e a palavra eterna é de suma
importância para aqueles que buscam uma compreensão mais profunda
sobre a mensagem do Pentateuco. A palavra escrita é mera simbologia
de uma realidade grandiosa e eterna. A palavra escrita desgasta-se
com o tempo, mas Cristo, a palavra eterna, é o mesmo ontem, hoje e o
será para sempre. Notem como temos dificuldades para penetrar nos
mistérios da palavra eterna. O Dr. Luis Alonso-Schökel, em sua obra
“A palavra inspirada”, p. 23, referindo-se à revelação pela criação,
afirma: “As palavras “natureza”, “universo” e “cosmos” são pobres
substitutos da palavra “criação”. Porque a verdadeira substância de
toda a natureza é ser criatura, e, como tal, revelação de Deus; ou
se desejamos um vocábulo demasiado preciso manifestação de Deus.
Tudo o que Deus realiza fora de si mesmo o manifesta, sendo, em
sentido amplo, uma espécie de língua”.
Notem como
Alonso-Schökel é subserviente à simbologia da palavra. Ele está
afirmando que qualquer coisa criada por Deus, de todas que criou, emite
uma mensagem a respeito de Deus. Isso é lindo e verdadeiro. Concordamos.
Por mais verdades que existam na exposição, de Alonso-Schökel, ainda
paira no espírito do leitor, uma sensação de que algo muito maior está
por detrás da simbologia da palavra. Isto mostra que a grandeza da
mensagem que cada coisa expressa, em gratidão ou glória da parte de seu
Criador, ainda é parte ínfima do todo da grandeza de Deus. Continuamos a
perguntar: Será que precisamos de algo para entender a natureza, os
sentimentos e os propósitos de alguém? Será que o princípio não seria
conhecermos alguém, antes de suas manifestações por meio de suas ações?
Isto é possível ao espírito humano? Quando elegemos um presidente da
república para seu primeiro mandato, fazemo-lo em decorrência do que ele
fez e se revelou como pessoa idônea, equilibrada, fiel e capaz? Ou o
elegemos na esperança de que ele seja tudo o que pensamos deva ser?
Notem como isso é importante. O nosso espírito enche-se de esperança
diante da possibilidade de um presidente que revele ou manifeste todas
as virtudes desejáveis para o sucesso do país. Ele ainda nada realizou e
continuamos na esperança de que o faça com equilíbrio e idoneidade. Há
algo antes das realizações. É esse algo antes que nos intriga e
desejamos compreender. Isso é que leva a pensar Deus antes das obras
criadas, antes da formação do homem e antes de tudo. Trata-se de um
salto de fé. Se a ilustração simples sobre a eleição de um governo pode
mostrar-nos um método que ilumina nosso ser e nos conduz pela via da
crença, então temos que pensar, não pelo que vemos e sentimos, mas que
cremos. É pelo salto da fé que poderemos ler novamente o Pentateuco e
compreender o Deus da criação, o Deus da história. Os métodos criados
pelos homens irão nos ajudar a ampliar nosso conhecimento e nossa crença
num Deus de imenso poder e graça.
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Fontes:
Semana Teológica – A mensagem do Pentateuco (Rev. Jair
Alvares Pintor)
Bibliografia:
Alonso Schökel – A Palavra Inspirada
Edições Loyola – São Paulo – 1992.
Archer Jr. Gleason – Merece Confiança o Antigo
Testamento – Panorama de Introdução
Vida Nova – São Paulo – 1974 – 1a. edição
Kaiser Jr. Walter C. - Teologia do Antigo Testamento
Vida Nova – São Paulo – 1980
Martin-achard, Robert – Como Ler o Antigo Testamento
ASTE – São Paulo – 1970
Shreiner, Josef – Palavra e Mensagem do Antigo
Testamento
Teológica – São Paulo – 2004.
Van Groningen, Gerard – Revelação Messiânica no Velho
Testamento
Luz Para o Evangelho – Campinas – SP, 1995
Von Rad, Gerhard – Teologia do Antigo Testamento
ASTE – São Paulo – 1986
Wright, G. Ernest – O Deus que Age
ASTE – São Paulo - 1967
Young, Edward J. - Introdução ao Antigo Testamento
Vida Nova – São Paulo – 1964
SEMINÁRIO PRESBITERIANO DE JESUS
Adaptação estudos:Pr. Adelcio Ferreira
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