Introdução aos Dez Mandamentos
Êxodo 20.1-17
A Palavra “Lei” e os Seus Múltiplos Significados
A palavra “lei”, com freqüência é usada para descrever as
diferentes partes da revelação de Deus a respeito de si mesmo.
Quando encontrarmos esta palavra, é necessário discernirmos seu
sentido específico e o contexto no qual ela está sendo usada.
A palavra “lei” é muitas vezes utilizada para se referir ao
Pentateuco ou os primeiros cinco livros de Moisés (Lucas 24:27).
Moisés numa maneira única e singular recebeu e relatou a lei de
Deus (João 1:17).
A “lei” às vezes parece ser uma referência a Bíblia toda (Salmo
1:1-2; Salmo 19:7-10).
A palavra “lei” é muitas vezes utilizada para designar todo o
sistema cerimonial de adoração entregue à Israel. Isto incluiria
o tabernáculo, sacerdócio, ofertas, dias santos e as leis de
dieta alimentar do Velho Testamento (Hebreus 10:1; Hebreus
9:22).
As leis civis que Israel deveria obedecer são chamadas de “lei”.
Êxodo 22- 24 nos dão um exemplo desta parte da lei.
A frase “lei moral” é muito usada para se referir aos padrões
básicos de certo e errado que permanecem até hoje. A lei
cerimonial poderia ser aniquilada, mas o dever de amar a Deus
permanece sempre. Os Dez Mandamentos são freqüentemente citados
como sendo a lei moral, embora alguns estudantes da Bíblia
discordem que o sábado seja incluído nesta classificação.
Um certo grau de conhecimento do certo e do errado foi
implantado por Deus na consciência humana (Romanos 2:14-15). Num
sentido mais profundo, a lei é escrita no coração daqueles que
nascem de novo (Hebreus 8:10; Romanos 7:22). Eles não somente
tem um maior entendimento das exigências da lei como também amam
e desejam obedecer a seus preceitos.
I. As Implicações da Lei
A própria existência da lei abrange muito. Os homens raramente
consideram o quanto é comprovado justamente pela crença do certo
e errado.
A. A crença na lei requer a crença em um legislador. Para ser
consistente o ateísta deveria privar-se de qualquer conceito de
moral absoluta. Se não há Deus não há nada de certo ou errado.
Assassinato e caridade são meras atividades diferentes.
B. As leis morais das Escrituras revelam o caráter santo de
Deus. A lei sempre reflete a natureza do legislador. Note a
impureza das leis feitas por homens ímpios ou atribuídas a
falsos deuses.
As leis encontradas na Palavra de Deus são perfeitamente santas.
O fato do amor cumprir a lei revela a perfeição da natureza de
Deus (Romanos 13:8; I João 4:8). Considere que a Regra de Ouro é
simplesmente uma declaração condensada do nosso dever para com o
próximo. Poderíamos conceber que nosso Senhor permitiria o
aborto, as jogatinas ou a impureza sexual como o fazem os nossos
modernos legisladores?
C. Se a lei de Deus é reconhecida, então Ele deve ser visto como
nosso soberano Criador. Quem, exceto o Todo-Poderoso, poderia
ter autoridade para declarar o que é certo ou errado? Os
governos humanos somente têm autoridade outorgada por Deus
(Romanos 13:1). O governo Civil não tem autoridade para ordenar
a desobediência à Deus (Atos 5:29).
D. Uma vez admitida a existência do certo e errado a certeza do
julgamento fica estabelecida. As leis não são meras sugestões.
Toda lei carrega consigo a ameaça da penalidade para aqueles que
a violam. O pecado é a transgressão da lei de Deus (I João 3:4)
e traz consigo uma horrenda condenação (Romanos 6:23).
E. A existência da lei de Deus prova a Sua natureza infinita. A
lei de Deus revelada nas Escrituras e em nossas próprias
consciências revela as más ações, palavras e pensamentos.
Somente um Deus Onisciente poderia fazer leis que
responsabilizam as palavras e segredos de pensamento dos homens
e dos anjos. Somente um Deus Todo-Poderoso poderia trazer cada
ofensor à julgamento. Pelo fato dEle ser Onipresente ninguém
pode escapar do Seu julgamento (Salmo 139; Atos 17:31).
Esta discussão poderia ser grandemente estendida, mas isto é o
suficiente para provar a completa tolice do ateísmo ou o perigo
da adoração dos falsos deuses. Fazer isso é negar e corromper a
lei que governa os homens.
II. Os Atributos da Lei de Deus
Muitos códigos de lei têm sido promulgados pelo homem para
governar a sociedade. Entretanto, há coisas que podem ser ditas
a respeito da lei de Deus que não podem ser ditas a respeito das
leis dos homens.
A. Pureza Perfeita – As imperfeições e limitações dos homens são
refletidas nas suas próprias leis. O único sistema de leis
perfeitamente santo é o de Deus (Salmo 19:8).
B. Espiritual – As leis dos homens controlam a conduta e, de uma
forma, as palavras da sociedade. Só a lei de Deus é que julga o
coração. Que governo humano poderia fazer do Sermão do Monte
parte do seu sistema legal (Note Mateus 5:28; 43-44).
Entretanto, este sermão expõe a verdadeira espiritualidade da
lei de Deus.
C. Abrangência – Os governos humanos estão sempre fazendo novas
leis para cobrir situações não previstas. A lei de Deus não
precisa de adendos. Ela cobre cada dever do homem em seus
princípios e preceitos (Salmo 119:96).
D. Unidade – Alguém pode quebrar a lei dos homens e ainda ser
obediente em outras áreas. Este não é o caso da lei de Deus
(Tiago 2:10). Isto ocorre porque o amor é o fundamento de tudo
(Romanos 13:8-10). Pecar em qualquer área é falhar em amar, que
é o fundamento da lei de Deus como um todo.
III. A Natureza do Decálogo
Os dez mandamentos são mencionados com freqüência como sendo o
“Decálogo” ou dez palavras. A fim de entendermos os Dez
Mandamentos nós precisamos considerar vários aspectos:
A. O decálogo está dividido em duas partes. Os primeiros quatro
mandamentos tratam dos nossos deveres para com Deus (Êxodo
20:1-11). Eles são resumidos nas Escrituras pelo primeiro grande
mandamento (Mateus 22:35-38). Os seis mandamentos restantes
tratam dos nossos deveres para com os homens. Eles são resumidos
no segundo grande mandamento. Isto prova a doutrina de Paulo em
Romanos 13:8-10.
B. Cada um dos Dez Mandamentos somente apontam para o dever
principal de uma série de deveres. Esta forma de representar o
“todo” através do “singular” é chamada de “Sinédoque”. Vamos
tomar por exemplo a ordem “não matarás” que nos proíbe de ferir
ou mesmo de desejar ferir nosso próximo de alguma maneira (I
João 3:15; Mateus 5:21-22). De fato o dever oposto está também
incluído e subentendido. A ordem de “não roubarás” inclui o
dever de proteger a propriedade do nosso próximo de prejuízo ou
perda quando está em nosso poder fazê-lo (Êxodo 23:4).
C. As leis de Deus proíbem aquilo que incite ou dê ocasião ao
pecado (Compare Êxodo 20:14 com I Coríntios 7:1-2).
IV. O Propósito da Lei
A lei nunca foi dada para salvar a alma. Qual é então o seu
propósito?
A. A lei nos dá uma revelação maravilhosa da santidade, poder e
grandeza de Deus.
B. A lei é usada para revelar ao homem seu estado de pecador e a
necessidade de Cristo (Romanos 3:19-20; Romanos 7:9). Aqueles
que se medem pelo padrão perfeito de Deus, podem ver o quanto
caíram. Tais pessoas compreendem a necessidade de receber a
justiça perfeita, que lhes é imputada pela fé em Cristo. Certos
pregadores do passado se referem à lei como a agulha que abre o
caminho para a linha do evangelho. Como um arado, ela quebra a
justiça própria do coração do homem, para que a semente do
evangelho possa ser plantada.
C. A lei determina a regra da conduta Cristã. Os santos não
estão debaixo da lei como um meio de obter justificação diante
de Deus (Romanos 10:4) ainda que ela revele para eles o que Deus
requer de suas vidas (Efésios 6:1-3; I João 5:21 etc.).
D. A lei julgará o homem no último dia. Mesmo aqueles que nunca
viram a Bíblia, muitas vezes revelam nos julgamentos que fazem
de outros a extensão pela qual a lei de Deus é revelada em seus
corações (Romanos 2:14-15).
V. Jesus Cristo e a Lei
A. O Senhor Jesus como nosso representante nasceu sob a lei e
perfeitamente cumpriu cada um de seus preceitos (Gálatas 4:4;
Mateus 3:17; Mateus 5:17).
B. Quando Jesus Cristo morreu na cruz, Ele estava sofrendo pelos
pecados do Seu povo. Ele pagou a dívida daqueles que quebraram a
lei de Deus (Romanos 6:23).
C. Aqueles que crêem em Cristo têm Sua
justiça imputada sobre eles (Romanos 3:20-22; II Coríntios 5:21;
Filipenses 3:9). Sendo assim, eles estão livres da
condenação da lei e permanecem justificados aos olhos de Deus.